A escravidão no Brasil e o 13 de maio

A escravidão no Brasil e o 13 de maio
Photo by British Library / Unsplash

Dia 13 de maio. No Brasil é o dia em que, oficialmente, se deu fim a um dos episódios mais sombrios da história humana. Ao menos é o que dizem... ou o que querem que você pense.

Não estou aqui tirando o valor da tal da "Lei Áurea", assinada pela Princesa Isabel no dia 13 de maio. Uma hora alguém haveria de botar um fim a algo que jamais deveria, sequer, ter começado! Escravizar outro ser humano, baseado em diferenças étnicas? Nem vou comentar...

O problema é que você não pega um massacre que dura 300 anos e encerra ele numa simples canetada. Dizer que a partir dessa assinatura aquelas pessoas eram livres, é ter uma noção muito simplista da palavra liberdade. Talvez aquela noção que sempre quiseram que você pensasse.

O que é a liberdade? O que as pessoas pretas ganharam naquele dia? Perante o mundo, tudo. Na realidade, pouca coisa. Não eram mais obrigadas, legalmente, a se submeterem ao "senhor de engenho". Mas, o que fazer quando não se tem nada além da roupa do corpo? O que fazer quando a sociedade, além de não ver mais utilidade alguma em você, ainda o vê com desconfiança?

Abolir a escravidão é algo que vai muito além de um papel assinado. É reconhecer tais indivíduos como iguais, integrá-los à sociedade e dar-lhes uma oportunidade de fazer sua vida. No mínimo! E mais uma vez o Estado falhou, miseravelmente.

A escravidão estava, oficialmente, abolida e o Brasil podia, então, se livrar do incômodo título de "único país a manter a escravidão". Tudo muito bonito. No papel. Na prática, tais pessoas foram largadas com absolutamente nada. Sem a menor chance de um recomeço.

Logo após a abolição, os negros libertos passaram a ser vistos com desconfiança e a mão de obra escrava foi rapidamente substituída. Aos então "livres", restou-lhes a margem. Restou-lhes "subir o morro" e tentar procurar seu espaço. Não houve nenhuma política pública, nenhuma iniciativa dos ex-escravagistas, nada, para que essas pessoas pudessem ser integradas harmonicamente.

Os que conseguiam trabalho, eram em condições sub-humanas, com salários irrisórios. Ou seja, as coisas não mudaram tanto assim. Por mais que se tenha passado tantos anos deste absurdo da história humana, ainda hoje, as cicatrizes permanecem abertas.

O dia 13 de maio é uma das datas que comemoramos os Pretos-Velhos no Terreiro. Muito longe de acreditarmos que foi a solução para o problema, mas, por outro lado, qualquer passo dado em prol da igualdade, por uma sociedade que pouco se importa, acaba sendo um motivo de comemoração. Foi um passo. Foi um marco. Apesar de não ter sido a solução.

A outra data em que a linha é celebrada, é na Consciência Negra. Esta sim, é a data de lembrar daqueles que lutaram. Ao contrário do imaginário popular, da crença que tentam impor do negro que "apanhava e morria mas perdoava o feitor", este povo forte e guerreiro não perdoou coisa alguma! Lutou e até hoje luta, pela sua liberdade, pela igualdade e pelo fim do maldito racismo.

Preto-Velho não é "ovelhinha" não. Não é apanhar e perdoar. Preto-Velho é luta, é sabedoria, é saber lidar com as adversidades da vida e não desistir jamais. Salve Zumbi, salve Malunguinho, salve Besouro, e tantos outros verdadeiros heróis.

Axé,

Babalorixá Luiz de Ogum

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