Orixá e Adjuntó

Orixá e Adjuntó
Imagem: soulbrasil.com - Orixás.

Como Sacerdote de Umbanda, recebo essa pergunta frequentemente.

"Sou filho de quem?" - perguntam, sem fazer a menor ideia do que isso significa.

Antes de responder a pergunta que compõe o título deste texto, precisamos conceituar algumas coisas. Isso importa para quem acredita que somos seres espirituais, bem como na existência de entidades espirituais e divindades que representam energias da natureza e emanação da Criação.

Somos seres espirituais. Essa é nossa natureza primária. Nossa língua portuguesa nos permite facilmente diferenciar as duas coisas: ser e estar. Somos espírito. Estamos encarnados. A situação transitória é justamente a realidade que vivemos hoje. Logo, precedíamos este corpo e o sucederemos.

Partindo de uma explicação rasa, porém evitando entrar em assuntos teológicos avançados, somos (espiritualmente) uma fagulha da força criadora primordial que se desprende da fonte e parte em sua jornada em busca da individualidade e da razão. Se essa força criadora primordial, se manifesta em raios (tal qual luz que passa por um prisma), somos nós, também, emanados de um desses raios.

Em outras palavras: temos Olodumaré, como a força criadora primordial, imanifesta, que se irradia em diferentes raios, os Orixás, que possuem características distintas. Somos criados sob a vibração dessa irradiação que chamamos Orixá.

Quando digo: sou filho de Ogum, estou dizendo que carrego em minha essência espiritual primária, justamente a energia desta divindade. E com ela, suas características e tendências. Algumas, serão mais manifestas, outras menos. Nossa missão é manter essa energia de forma equilibrada.

Podemos dizer então, que nosso Orixá Ancestral, é aquele cujo nosso Orí (princípio espiritual e divino) encontra ressonância energética e da qual derivou. Contudo, similar como acontece em uma lanterna, onde preciso um polo positivo e um polo negativo para acender a lâmpada, a união de opostos também é necessária na criação. Se somos filhos de um Orixá de polaridade masculina (nada haver com sexo, gênero ou sexualidade), teremos um outro, que gerou essa oposição, de polaridade feminina, a que chamamos Adjuntó. O contrário também é verdadeiro. Se somos filhos de um Orixá de polaridade feminina, nosso Adjuntó será de polaridade masculina.

O que isso nos diz? Bem, trazemos muito de nossos Orixás em nossa personalidade e em nosso jeito de ser - apesar de que isso jamais deve se tornar desculpa para mau comportamento ou ações impulsivas. Também nossa forma de trabalhar a espiritualidade vai ser consoante a essas vibrações que estão presentes de forma mais marcante em nosso espírito.

A quem interessa saber? A quem for desenvolver a espiritualidade de maneira prática. No chão do Terreiro. Com a mão na massa. Antigamente até costumava jogar os Búzios para quem não era membro da casa, entretanto, penso que a Espiritualidade e a fé é algo sério demais para simplesmente servir de satisfação de curiosidade.

Uma das formas de identificar essas energias é o jogo de Búzios (como fazemos em nossa casa). Outra, bastante comum, é pelo Jogo do Obi. Em casas distintas, outras metodologias podem ser usadas sem qualquer demérito.

Podemos então, a grosso modo, dizer que o Orixá Ancestral é a identificação da partícula divina que habita em cada um de nós e o Adjuntó seria seu princípio ativador ou contentor. Conhecer nossos Orixás é conhecer nossa espiritualidade e saber como cultuá-la.

Orixá é ancestralidade, é Axé, é natureza e criação.

Axé!

Babalorixá Luiz de Ogum

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